quinta-feira, 12 de abril de 2018

Líderes de louvor e adoração: de onde vem, como vivem, do que se alimentam...

Salve galera, graça e paz à todos! Hoje venho abordar um tema muito relevante para nossas igrejas atualmente: o que é (e principalmente, o que não é) liderar louvor e adoração. O que escrevo aqui é fruto de mais de 12 anos a frente do ministério de louvor da minha igreja, uma igreja Batista, com muita dedicação em estudar e evoluir ministerialmente. Depois de muitos livros lidos, muito estudo e dedicação à palavra de Deus e alguns anos de experiência na presença do Pai, Ele me proporcionou conduzir um grupo de louvor, ainda que com menos integrantes do que já conduzi anteriormente, coeso musical e espiritualmente, no qual tem sido um prazer louvar a Deus culto após culto.

Meu entendimento sobre Louvor e Adoração foi sendo lapidado pela Palavra ao longo destes anos de modo que tenho observado a carência de líderes de louvor presente nas igrejas. Os motivos podem variar de falta de prioridades e/ou conhecimento à uma deficiência cultural que nos molda a simplesmente repetir maquinalmente modelos inadequados de canções e lideranças. Quero aqui fazer algumas considerações a respeito para a edificação do corpo de Cristo em louvor. Vamos lá?

Bem, primeiramente eu vejo de forma geral nos grupos de louvor ministeriais (aqueles incumbidos de realizar o momento musical dos cultos em sua igreja local) um acontecimento quase que unânime: a necessidade de formar rapidamente uma equipe para "tocar na igreja". Ocorre, por este motivo um atropelo de prioridades, pois é devido observar que quem lidera um momento de louvor deve estar tão bem preparado técnica e espiritualmente quanto quem lidera qualquer outro momento da reunião. Igrejas ou pastores apressadas(os) em formar sua equipe tendem a escolher líderes e integrantes apenas pela proficiência técnica ou disponibilidade de tempo para ensaios e cultos, não considerando assim a importância espiritual deste momento e com isso possivelmente sobrecarregando de expectativa o individuo escolhido sobre um "momento mágico e espiritual" de louvor que não acontecerá. Certo tempo atrás, enquanto visitava uma igreja em outra cidade, conversando com o pastor local fui surpreendido pelo testemunho de que pelo longo tempo em que formou sua equipe de louvor era ele mesmo quem ministrava nos cultos e com os louvores sendo tocados diretamente do mp3 do seu carro. Este pastor havia sido encarregado de uma pequena congregação que não há muito tempo havia sido implantada e então, até que formasse uma equipe sólida e capacitada para ministrar louvor e adoração, ele estacionava seu carro na porta da congregação, colocava os louvores selecionados no radio do seu carro, abria o porta malas e louvavam ao Senhor ali, enquanto ele ministrava entre as canções aos irmãos que ali já começavam a congregar. Algum tempo depois esta congregação, agora uma igreja de porte bem maior, tinha uma equipe de louvor sólida, com líderes que estudavam a palavra juntos em suas casas. Era nítido, ao olhar para aquelas pessoas, o sentimento familiar de união entre eles. Por sua vez, a igreja era conduzida em louvor e adoração com leveza nos momentos de celebração de culto. o Pastor Cris, do ministério Filhos do Homem, conta em um sermão que no início do ministério só estavam ele e seu violão durante o louvor e a seu tempo Deus foi mostrando e levantando uma equipe sólida ali. Claro que casos assim não são a regra, senão a excessão, mas nos mostram a necessidade que alguns ministros do Senhor reconheceram de ter equipes sólidas liderando louvor em suas igrejas.

O momento do louvor, apesar de ser o momento musical do culto, precisa ser muito mais do que isso. Esta necessidade de simplesmente formar um "grupo musical" para a igreja local reduz o momento de louvor e adoração ao que vemos muitas vezes: músicos e ministros despreparados, técnica e espiritualmente; ou músicos muito preparados na técnica (quando o critério de seleção é a habilidade) e pouco preparados espiritualmente, ocasionando aquela desconexão da equipe na qual a igreja ouve a música, mas não é conduzida em adoração e sim atraída pelos momentos de virtuosismo instrumental hora de um integrante, ora de outro. 

Uma equipe de louvor TODA precisa ter uma vida com Cristo, com integrantes que estudam a palavra e tem sede de conhecer mais a Deus, que tenham consideráveis habilidades musicais e que sejam (e isso é muito importante) submissos aos seus líderes. O conhecido líder de louvor e adoração Ron Kenoly destacou, certa vez, que um líder de louvor precisa ser conhecedor do seu pastor, precisa precisa compreender a visão da igreja local em relação a esta função e precisa estar ligado com o que está sendo (ou, será) pregado no culto.

Eddie Espinosa, em Pensamentos em Adoração, cita entre outras coisas que conduzir louvor e adoração não é...


  1. ...conduzir (tomar a frente de) uma canção para que os demais te acompanhem. Esta seria a função de um dirigente de música talvez, mas não de um líder de louvor e adoração. Fazendo isto possivelmente se preencha os requisitos de entreter a platéia entre uma canção e outra e prepará-la para o sermão, mas não é esta imagem que queremos reforçar aqui;
  2. ...exortar a igreja a cantar junto, seja através de um pedido de "vamos cantar...", "vamos declarar...", "erga as suas mãos e adore..." etc. (Muitas vezes esta indução de louvor se dá por mini sermões ou testemunhos a cerca da canção a seguir);
  3. ... adorar enquanto a igreja assiste (e este é o problema que vejo no sistema de "oportunidades" em que seguidos irmãos sobem ao púlpito para cantar - normalmente com play-backs - e depois descem para a vez do próximo. Frequentemente o que ocorre é que aquele irmão do fundo do seu coração adora, mas a igreja apenas assiste e comenta sobre a qualidade de seu canto. Outro problema que vejo aqui é o não ter como saber o momento em que aquele irmão está vivendo espiritualmente para aceitar colocá-lo sobre o púlpito) e também não é tocar enquanto o restante adora.

O que é liderar adoração então?

Liderar adoração é estar estar tão fortemente conectado com Deus a ponto dEle ministrar ao coração do líder o que ELE (Deus) quer trabalhar na sua igreja, e estar conectado com a igreja a tal ponto que o Espírito guie o ministro sobre o que a igreja precisa declarar nas canções como oração a Deus para que o propósito de Deus para aquela reunião seja introduzido. Liderar louvor e adoração é serviço, é estar adorando e orando ao Senhor em todo o tempo, recebendo instrução dEle enquanto auxilia a igreja a fazer o mesmo. Um líder de adoração precisa (pois esta tarefa o exige) de uma vida de oração. A adoração na vida deste líder deve ser contínua.  Vemos em Hebreus 13.13-17  este modelo bem presente.


Tive a nítida sensação de que havia chegado neste ponto de contato há alguns anos atrás quando comecei a montar a formação atual do grupo de louvor. Lembro-me que na necessidade de mais um vocal orei ao Senhor e fui profundamente tocado à convidar uma jovem da igreja a integrar nosso grupo. Ela ficou surpresa com o convite pois, me relatou, ela estava orando para que Deus a colocasse em algum ministério na igreja onde ela pudesse servir-lo melhor e ela amava cantar. Mas tinha um porém... ela não sabia cantar. Foi então que comecei, ensaio após ensaio, a ensiná-la. Eu repassava materiais que haviam me ajudado muito com o canto durante a faculdade (sou formado em música pela Universidade Federal de Pelotas - RS) e ela treinava em casa, fazia aulas de canto comigo semanalmente além dos ensaios. Sobre os ensaios eu fiz um acordo com ela de que ela aquentaria, ensaiaria e oraria conosco toda semana, no entanto somente participaria do momento de louvor do culto quando tivesse preparada. Dentro de pouco tempo ela já estava cantando bem. Descobrimos um grande talento musical ali. Como prometido, ela começou a ministrar louvor juntamente conosco e a cada culto o Senhor fazia grandes coisas enquanto ministrávamos e orávamos com a igreja. 

Passado um bom tempo esta jovem nos trouxe triste notícia que teria que nos deixar pois sua família estava para se mudar de nossa pequena cidade. Assim se fez. Lembro-me do sentimento de perda que o grupo todo teve com a ausência da jovem, o sentimento de um pedaço do corpo (como nas palavras de Paulo sobre a igreja) que havia sido removido, e tudo às vésperas de uma vigília que organizávamos anualmente todo mês de janeiro. Passado o evento, novamente eu era  único líder de louvor no grupo, tendo apenas mais um vocal do nosso tecladista na época. Foi então que no culto de domingo imediatamente após o evento citado ao ministrar o louvor com um cântico que diz "digno é o Cordeiro que foi morto, Santo Santo ele é..." o Senhor moveu meu coração tão grandemente que depois de um tempo não pude mais cantar. Era já a ultima canção do culto. Lembro-me desta cena detalhadamente.. lágrimas começaram a correr no meu rosto enquanto eu declarava "digno é o Cordeiro que foi morto..." e eu lembro de não conseguir mais cantar diante da manifesta presença de Deus ali. Neste momento eu pensei "Senhor, obrigado pelo teu toque, o teu renovo... mas e as pessoas?.. eu preciso ministrar! Não tenho mais outra líder para instruir tua igreja em adoração à Ti e não posso deixar teu povo 'perdido'..." (sério, a estranheza de voltar a ministrar sozinho me deixou bem preocupado naquele instante... me perguntei isso) e Ele só me confortava. Foi então que depois de alguns instantes com este pensamento, mas tocado pelo Espírito que me confortava ouví uma voz de mulher cantando o refrão da canção. Abro os olhos e vejo uma irmã de nossa igreja cantando muito bem, ainda que meio desconfiada da nossa reação. Enquanto ela cantava Deus ministrava nos nossos corações. Aquele momento foi incrível e me reforçou a certeza de que quando estamos no centro da vontade dele ele supre nossas necessidades e nos permite descanso, ainda que na pequenez de nossa mentalidade sejamos preocupados com tudo o tempo todo. Depois da reunião fui correndo falar com ela e ela me disse que cantava em coral em seu antigo ministério, na cidade onde residia anteriormente, no estado do Rio de Janeiro. Deus é fiel! Hoje esta moça ministra juntamente comigo em nossa igreja, e mais do que isso, seu esposo toca contrabaixo conosco. Consolidamos um ministério de louvor coeso e de pessoas tementes a Deus e compromissadas com sua obra. Graças a Deus!!

Que estas reflexões lhe ajudem a melhor compreender a função de liderar louvor e adoração na sua igreja local e que Deus abençoe e ilumine teu entendimento e lhe permita crescer em Graça!

Deus abençoe à todos!!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Diretrizes para o ministro de louvor #esboço

Salve galerinha que acompanha este blog, tudo na paz? Galera o blog tem dado bastante visualizações (não é bastaaaaante, mas tem me sur...

Curta nossa página